Archive for Abril 2008
Requentando posts
- Real não é como você é feito – disse o cavalo de couro. – É algo que acontece com você. Quando uma criança o ama por muito, muito tempo, não apenas para brincar, mas REALMENTE o ama, então você se torna real.
- Dói? – perguntou o coelho.
- Às vezes – disse o cavalo de couro, pois ele sempre dizia a verdade. – Quando você é real, não se importa de se machucar.
E o pior é que o texto nem é meu. Bummer.
Before I’m wretched
Três dias de ócio em casa e só tenho coisas chatas para falar. Como a maioria é muito pessoal e ainda não me acostumei plenamente com elas, é melhor meter o pau na faculdade. Essa estratégia não tem erro, é sucesso sempre.
Não sei se é por conta da minha idade, de experiências passadas com cursos profissionalizantes ou simplesmente preguiça e procrastinação, mas não agüento mais cursar Direito. Cheguei ao ponto de pedir aos meus amigos me buscarem no ponto de ônibus para evitar que eu vá direto para casa.
Não que o curso seja ruim, muito pelo contrário. Nem mesmo chato. Simplesmente não tenho mais a vontade de aprender o que vem sendo ministrado. De um total de sete cadeiras, a única que assisto com certa freqüência é a de Direito Penal. Nos dias em que não tenho essa aula, durmo durante o primeiro período após responder a chamada; depois do intervalo, peço presença e vou para casa.
Meu professor de Constitucional me chamou para conversar. Perguntou se havia algum problema, disse que eu estava sumida e que estranhava eu estar tão desanimada. Que eu era uma excelente aluna, e gostaria de me ajudar com o que estivesse ao seu alcance. Mudei de assunto rapidinho; foi muito gentil da parte dele, mas como explicar que estou extremamente decepcionada com muito do que está acontecendo dentro e fora da faculdade?
Não vou desistir do curso como desisti do Cotuca. Não tenho mais idade para brincar de escolher o futuro a qualquer momento. Mas reitero que não me sinto plenamente contente com os rumos da minha vida.
Digamos que joguei o curso para cima. Na hora em que as coisas começarem a se despedaçar no chão, eu penso no que fazer.
Plus au sud
Não tenho conhecimento de nada mais nerd do que decorar poesias. Decorar músicas é algo muito natural, acaba entrando no cérebro por osmose e você se pega cantando Chico Buarque no elevador do seu prédio a plenos pulmões. Agora poesias… tem que ser muito perdedor para decorá-las e – o horror! – recitá-las em público, como se estivesse em um videoclip. Cena terrível.
Sim, eu fiz isso hoje. Acontece nas melhores famílias, que dizer na minha.
E a situação só piora quando a poesia é do Bukowski.
Gostar de Bukowski é o equivalente literário de usar a Comic Sans em um relatório de fechamento de mês. Ou de ouvir Alejandro Sans. Ou chamar um legítimo chinelo Havaiana de “sandália”. Ou postar poesias no blog.
Ou seja, é aquilo que você um dia foi realidade, mas você só revelará a poucas e seletas pessoas.
(Mas essa poesia é muito bonitinha, vai.
Perdoem os erros de métrica e algumas palavras erradas, estou com preguiça de buscar a poesia no Google.)
Out of the arms of one love
And into the arms of another.I have been saved from dying on the cross
By a lady who smokes pot,
Writes songs and stories
And is much kinder than the last,
Much much kinder,
And the sex is just as good or better.
It isn’t pleasant to be put on the cross and left there,
It is much more pleasant to forget a love which didn’t work
As all love
Finally
Doesn’t work.It is much more pleasant to make love
Along the shore in Del Mar
In room 42, and afterwards,
Sitting up in bed,
Drinking good wine, talking and touching,
Smoking,
Listening to the waves…I have died too many times
Believing and waiting, waiting
In a room,
Staring at a cracked ceiling,
Waiting for the phone, a letter, a knock, a sound…
Going wild inside
While she danced with strangers in nightclubs…
Out of the arms of one love
And into the arms of another.It’s not pleasant to die on the cross.
It is much more pleasant to hear your name whispered in the dark.
L’arrivée sur l’île
Existem coisas das quais não consigo me alienar jamais. Ao dividir o mesmo espaço-tempo que elas, me deixo envolver. Curiosamente, elas costumam se adaptar às situações, o que me leva a uma única conclusão: na realidade, não gosto do objeto em si, ou do que ele faz ou pode fazer. Gosto do fato de ele potencializar algo que sinto no momento.
Yann Tiersen é assim. Não consigo desligar o iTunes sem ter ouvido ao menos uma música dele. Todas são adequadas a todos os momentos, mas meu carro-chefe neste tema é “A quai”. Posso ouvi-la quando estou triste, e ela me deixa mais triste. Ou então guardá-la para um dia alegre, e ela me deixa mais alegre. Mais nervosa. Saudosista. Irritada. Solitária. As possibilidades são infinitas.
Não sei se isso a torna melhor ou pior que qualquer outra música. Só posso afirmar que ela me ensinou algo: sou uma pessoa mais completa quando meu sentimento é catalizado.
Acho que, no fim, minha felicidade é tão artificial como as memórias de um comedor de ópio.
Dumb sound
Este blog, originalmente, seria um repositório de textos. Ultimamente, tem se tornado um repositório de reclamações.
Tenho andado triste, chorando por qualquer coisa, tendo vontade de chorar em qualquer lugar e a qualquer hora. Sinto muita falta do meu avô. Mais do que nunca, queria alguém mais velho, mais distanciado e mesmo assim próximo, para me ajudar.
Carrego comigo essa coisa de só falar sobre certos assuntos com certas pessoas, e tem um assunto que eu só quero – só posso, na verdade – tratar com ele. Ou seja, o assunto nunca será discutido.
Hoje, no café da manhã, conheci mais uma pessoa que sofreu de anorexia. Se encontrar um epilético, me sentirei completa.
Pois é, amiguinhos. Essa história de existir antes de ser, de escolher ser livre e etc, dói uma barbaridade. Sartre merecia ser apedrejado à moda hebraica por ter pensado nisso.
Como eu gostaria de falar como a Edith Piaf: “je ne regrette rien“.
Eu me arrependo de muitas coisas. Algumas que fiz, poucas que faço, a absoluta maioria pelo que deixei de fazer.
Só quando ficamos mais velhos é que percebemos como não fazer é muito pior… e continuamos não fazendo. Esse é o melhor jeito de sofrer.
…
Pronto, passou. Plastic girl with plastic gun, plastic smile under plastic sun.



