L’arrivée sur l’île
Existem coisas das quais não consigo me alienar jamais. Ao dividir o mesmo espaço-tempo que elas, me deixo envolver. Curiosamente, elas costumam se adaptar às situações, o que me leva a uma única conclusão: na realidade, não gosto do objeto em si, ou do que ele faz ou pode fazer. Gosto do fato de ele potencializar algo que sinto no momento.
Yann Tiersen é assim. Não consigo desligar o iTunes sem ter ouvido ao menos uma música dele. Todas são adequadas a todos os momentos, mas meu carro-chefe neste tema é “A quai”. Posso ouvi-la quando estou triste, e ela me deixa mais triste. Ou então guardá-la para um dia alegre, e ela me deixa mais alegre. Mais nervosa. Saudosista. Irritada. Solitária. As possibilidades são infinitas.
Não sei se isso a torna melhor ou pior que qualquer outra música. Só posso afirmar que ela me ensinou algo: sou uma pessoa mais completa quando meu sentimento é catalizado.
Acho que, no fim, minha felicidade é tão artificial como as memórias de um comedor de ópio.



