Pitangas

Drupas globosas, carnosas, vermelhas e bastante saborosas.

Archive for Junho 2008

The straggler’s moon

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Quando eu era pequena, minha mãe falava que filha de gente de bem não tinha motivos para passar o dia na casa de outros (algo segundo essas linhas).
E, quase 22 anos depois, traduzo como “mas depois que cresce, que o Diabo carregue”, porque há uma semana me enfurno em carros e casas alheias de amigos após o trabalho.

Meu fígado lamenta a decisão e manifesta-se peremptoriamente, trazendo seu repúdio pelo milagre da multiplicação da vodka barata a público.
Herege.

Pescando frases

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Um dos muitos casos em que concordo com a frase, mas discordo diametralmente da solução.

Existe uma forma de medo mais profunda, de tipo existencial, que às vezes cai na angústia e que nasce de um sentido vazio da existência ligado a uma certa cultura impregnada do niilismo.

Papa Bento XVI

Meu consolo é saber que nem mesmo ele acredita no resto do próprio discurso.

Memória viva

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Para quem gosta de entrevistas, política, literatura e afins, a Rede Cultura liberou na internet a transcrição completa das entrevistas do Roda Viva. Como o projeto ainda é bem recente, apenas cerca de 200 entrevistas foram registradas; as outras virão com o tempo. Alguns trechos estão disponíveis em vídeo.

Desnecessário dizer que é uma pena não terem liberado os vídeos na íntegra também, mas convenhamos: se você se preza a assistir o programa, deve ter a decência de conseguir ler duas dúzias de páginas de transcrições.

Só para incentivar, esta é a lista das minhas 10 entrevistas favoritas do programa. E ainda tem muita coisa boa de onde estas saíram.

1. Adolfo Bioy Casares (1995): o grão-mestre da literatura argentina.

2. Domenico de Masi (1999): pensador da sociologia do trabalho, em uma entrevista deliciosa.

3. Ferreira Gullar (2001): autor d’ “Poema sujo”, participante do movimento vanguardista e da resistência à ditadura.

4. Oliviero Toscani (1995): lembra das campanhas da Benneton com a família da Angelina Jolie pessoas negras e brancas, explorando contrastes e imagens chocantes? Ele é o autor das mesmas.

5. Gianfrancesco Guarnieri (1991): existem pessoas que não deveriam morrer nunca. Gianfrancesco certamente estaria entre eles.

6. Ayrton Senna (1986) e Emerson Fittipaldi (1995): nunca gostei muito do Senna (preferia o Prost e o Mansell) e achava o Fittipaldi muito parecido com as pessoas da minha família, mas assisti essas entrevistas à exaustão durante minha infância.

7. Fernando Henrique Cardoso (1988 e 2002): porque nem só de Lula vive o governo.

8. Leonardo Boff (1997): discutindo o papel da igreja no mundo de hoje sem mencionar Jesus, Deus ou o caramba a quatro.

9. Thomas Skidmore (1997): o maior estudioso da história brasileira não é brasileiro. Acho que isso significa bastante.

10. José Saramago (1992): com quem vivo um caso de amor e ódio literário.

Bonus track: entrevista mais aguardada para disponibilização

Robert Fisk e Lawrence Wright (2007): Entrevista feita durante a Flip, com o Fisk dando uma sapatada intelectual no Wright.

Cigarettes and chocolate milk

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As Trends do Google Reader dão o motivo do desaparecimento:

From your 164 subscriptions, over the last 30 days you read 7,183 items, starred 182 items, shared 0 items, and emailed 0 items.

É muita coisa acontecendo, muito amor pra compartilhar.

Mas! O CD novo do Fratellis saiu, e “Stragglers Moon” anda embalando minhas noites. Por bem ou mal acabei o semestre na Puc. Estourei o saldo do cartão de crédito para comprar um par de sapatos (defendo-me com o fato dele ser o par de sapatos mais lindo dentre os pares de sapatos mais lindos da história da Sapatolândia).

E algumas coisas não mudam: continuo cantando Edith Piaf no elevador do meu prédio, brigando com o Lucas por pouca bosta e demorando para responder emails.
Continuo tendo vontade de comprar um PSP.

Continuo acreditando em amor. Mentira.
Mas que continuo amando quem não me ama, ah, esta ainda é a verdade universal.

Estamos de volta a 2003, crianças. Fasten your seatbelts, time for a rollercoaster ride.
Até Rufus Wainwright entrou na playlist de novo, hahaha. Vida bandida.

Escrito por ana marques

21.06.2008 em 3:36 pm

Publicado em Mundinho

Gult, skärt och blått

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Gosto de conversar com o Danilo (sweetie, você passa por aqui?) porque ele é o único vínculo que tenho com uma época que já não me lembro muito bem. Ou que passo cada minuto dos meus dias tentando esquecer.

Com ele não tenho porquê fazer isso. Ele estava lá, vivenciou tudo – e assim nos tornamos duas metades complementares. E, em uma discussão recente, ele me fez pensar sobre o que aconteceu comigo desde que 2003 acabou.

Os problemas que me fazem chorar hoje em dia são outros, mas a garganta seca continua a mesma. A mesma sensação de perda, a mesma vontade de viver para sempre em um quarto ouvindo alguma música triste que varia de acordo com a época. O mesmo choro baixinho.

Só que um dia a vida me deu um belo tapa na cara e descobri que não consigo mais viver só disso, só de amor platônico. Preciso de mais. Mesmo que eu saiba que esse “mais” sempre pareceu – e sempre foi – falso.

E descobri que posso me convencer que ele não é, se mudar um pouco meu ponto de vista sobre as coisas. O que corrobora a tese de que uma mentira pode se tornar uma verdade, desde que você acredite piamente nela.