Archive for Junho 3rd, 2008
Review du jour
Filme: Across the Universe
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Musicais, para mim, sempre terão Hair e Jesus Christ Superstar como referência de qualidade maior. Não adianta, não consigo tirar o estigma destes filmes (porque os musicais da Broadway são muito chatos) do meu centro de comparação.
Por isso, achei Across the Universe… mediano-para-bom. Isso porque o filme é muito arrastado; mais da metade do tempo de fita trata da vida cotidiana de um inglês porra-louca. Digamos que se eu quisesse ver alguém com amigos maconheiros e/ou suicidas que gostam de encher a cara e se afundar nos seus relacionamentos, eu não assistiria a um filme.
– E Hair trata exatamente sobre o quê, dona Ana?
Sobre maconheiros. Mas o que me incomoda mesmo é parte dos relacionamentos, feels too close to home.
Para ver os 5 minutos que valem a pena, assistam a versão de “I Want You (She’s So Heavy)”, nem que seja só pelo diálogo. E perdoem as coreografias corny (não achei outra palavra melhor), é um musical, oras bolas:
– Well, you still have options…
– Yeah, jail or Canada, and they both suck. I mean, I could never come home, so what is it? It’s the choice of a 6 by 4 cell or an endless wasteland of frozen tundra.
– Montreal is cool.
– Man, they speak French.
CD: Beirut, “The Flying Club Cup”
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Alguém se lembra do The Decemberists? Aquela banda que só falava sobre temas burlescos, piratas e histórias levemente (deliciosamente) fantasiosas? Eu arrisco dizer que Beirut soa como Decemberists.
“Soa como” por preencher seus ouvidos com melodias completamente diferentes do que nos acostumamos. Não há um acorde de guitarra sequer em todo o CD; em compensação, os acordeões, ukeleles, violinos e pianos preenchem os ouvidos. A harmonia é tão afastada do gosto comum – tão balcânica – que a primeira audição chega a causar uma certa estranheza. Depois vicia.
Outro ponto em comum é a teatralidade de ambos. Não dá para ouvir “The Crane Wife” sem se prender às letras e imaginar a história narrada e seus personagens. O mesmo vale para este CD: desafio qualquer um a ouvir “In the mausoleum” e não criar um enredo para a música – mesmo ela sendo quase que completamente instrumental.
Só não consigo dar a nota máxima pelo ERRO que é “A sunday smile”. Não consigo aceitar que essa música tenha entrado em um álbum tão bom.
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Série: Pushing Daisies
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Sou uma bicha sensível sim, gosto de Amélie Poulain sim, só tenho me interessado por realismo fantástico em literatura e adoro séries que não precisam ser acompanhadas com um compêndio de referências aos episódios anteriores (cof-cof Lost cof-cof). Com esse panorama, expliquemos a série.
Um rapaz descobre que, ao tocar os mortos, pode trazê-los de volta à vida. Se ele a tocar novamente – qualquer tipo de toque –, a pessoa morre para sempre. Após ressuscitar a pessoa, ele tem um minuto para tocá-la novamente e matá-la; se não o fizer, o ser vivo mais próximo do ressuscitado morre.
Resumo da ópera: um toque, vida; passou um minuto, morte de alguém próximo; dois toques, morte absoluta.
Pois bem. Um de seus trabalhos é atuar em conjunto com um detetive caçador de recompensas, tendo um minuto para interrogar as vítimas de homicídio. Mas a história fica interessante quando ele traz de volta a menina que foi o amor da vida dele.
É interessantíssimo ver como os protagonistas se conformam de se amarem e não poderem se tocar. A cena final do primeiro episódio – quando eles “se dão as mãos” – me faz sorrir sempre que me vem à mente.
Para quem consegue lidar com tamanho surrealismo, é um seriado extremamente recomendado.
Dos 2,5 leitores desse blog, um é exatamente como eu e tem muito a aprender com essa série. Então, esta foi especialmente para você. Vale cada segundo de download do torrent.



