Pitangas

Drupas globosas, carnosas, vermelhas e bastante saborosas.

Liubliu!

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Descobri hoje que o teu cheiro e o meu cheiro são quase o mesmo cheiro. Descobri também que os nossos cheiros unidos, vermelhos, róseos, formam juntos um outro cheiro que é quase doce e quase verde e lembra o cheiro do tempo. Que o cheiro do tempo é quase como o cheiro de chuva, quase como o cheiro de capim cortado, quase se assemelha ao cheiro do teu apartamento.

Descobri que o cheiro de madeiras e temperos nada tem a ver com o teu cheiro. Teu cheiro é mais humano, mais inóspito. Que os nossos cheiros ajuntados são como fumaça, suor e cansaço. Mas também flor e chuva com sorvete.

Desvendei que amo teu cheiro. Que o teu cheiro adstringente me põe descontrolada. Ainda agora pude sentir teu cheiro no ar. Ainda agora meu quarto recebe o teu cheiro nas paredes, nos móveis e nos lençóis.
Não me mexo. Respiro e deixo que o teu cheiro penetre nas coisas, nos livros, nas roupas. Te guardo em segredo.

Logo ali na sala estão as rosas. As rosas têm um outro cheiro que não ouso decifrar. Os estames, os bocais avermelhados, toda a existência da flor e seu cheiro que não chega a ser um perfume. É antes uma ofensa, um espanto, um impropério.
Assim como o teu cheiro, como o meu, assim como os nossos cheiros ajuntados que não chegam a ser um perfume, mas são antes a completa santidade dos cheiros.

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