Pitangas

Drupas globosas, carnosas, vermelhas e bastante saborosas.

Archive for Setembro 2008

Hymn for him

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Eu adoro esquecer meus pertences na sua casa. Porque eu sei que vou ter que voltar para buscá-los, ou mesmo deixar aí para sempre, porque “para sempre” é nossa medida de tempo. E toda vez que vou embora, fico esperando para te ver novamente, porque mesmo depois desse tempo de experiência juntos eu ainda me surpreendo com você.

E confesso que quase tive que ser retirada por enfermeiros do cômodo da sua casa, quando você disse que aquela seria nossa cama. Quero a cama, as cômodas, os lustres, os robôs e nossas câmeras.
Nossos melhores dias estão só começando.

Les retrouvailles

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Minhas cinco melhores capas de CD, porque estou triste e não quero escrever sobre nada.

5. Destroyer, “Trouble in Dreams

4. Yann Tiersen, “Le Phare”

3. Nick Cave, “The Boatman’s Call”

2. Devendra Banhart, “Cripple Crow”

1. Afghan Whigs, “Gentleman”

Escrito por ana marques

23.09.2008 em 12:29 am

Publicado em Mélange

Amélie et Nino

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Amélie et Nino [1]

Eu poderia dizer que você é tudo o que faz a vida valer a pena, mas tenho que admitir que isso seria por demais piegas e, até um certo ponto, ou depois dele, seria mentira.
Digo somente, então, entre outras coisas que ainda hei de dizer, que me acalma tê-lo. Me acalma observar o seu rosto quando você está silencioso a pensar em nada, me acalma delinear seu sorriso com meus olhos, me acalmam seus olhos quando me vejo refletida neles.
Confundem-me e confortam-me todos esses seus gestos paradoxais: seu abraço meio que me apaga, meio que me acende; sua boca meio que me cala, meio que me arranca do peito um grito tímido e sonoro; sua voz faz com que eu me encontre, perdida, nos meus sonhos e me perca, confiante, nos seus.

E todos estes seus limites me desafiam e me acomodam, sua estabilidade me assusta, sua serenidade me tranqüiliza, sua paciência me desespera. Você é tão seguro, tão certo, tão seu. E eu tão fraca, tão errônea e toda sua.
Divergem nossos mundos, nossos modos. Convergem nossos planos, nossas vidas. Trilhamos, de mãos dadas, um caminho só de ida a um infinito de múltiplas possibilidades, repleto de finais felizes…
Somos dois em um só até que não se possa mais. Não é preciso que você fale para que eu te escute; não é preciso que você chore para que eu seque as lágrimas; não é preciso que você peça silêncio para que eu me cale; não é preciso, sequer, que você pense para que eu adivinhe seus pensamentos. Eu antecipo seus desejos, surpreendo-lhe, supero todas as suas parcas expectativas, compreendo seus devaneios, alimento suas fantasias, amo-lhe, enfim.
E o melhor, todas as recíprocas são verdadeiras.

Somos apenas um, em dois, eternamente, por assim dizer. Seu ciúme se espelha naquele que eu nego sentir. Sua saudade nunca é maior ou menor que a minha, seu choro é tão contido quanto o meu, o que você não diz tem o mesmo significado das minhas palavras e suas palavras retratam fielmente o meu silêncio. Seu futuro é o meu futuro no que couber. Meu presente é o seu presente e nisso cabem incontáveis vice-versas.
E pelo que consta nos autos não temos passado e, se o temos, ele não importa.

Sustento-me em você e você se sustenta em mim, mas a distância entre nós não nos faz perder o apoio, nossas inúmeras ausências não são capazes de nos roubar o rumo. Eu não preciso de você e você não precisa de mim, apenas queremos um ao outro e não há nisso qualquer dependência.
Nosso amor não é poético como são as palavras com que o exprimimos; ele não tem metáforas, não se define em tirinhas de jornal. Nosso amor não é algo que se explique e tampouco que se compreenda, ele simplesmente é.

Amélie et Nino [2]

The last night of sadness

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De repente alguns Celsius somem, o friozinho volta para cá de novo e volto a me sentir feliz.
Uma coisa não impossibilita a outra, muito pelo contrário, eu gosto dos dias cinzas. Faz os dias azuis parecerem mais charmosos. Mas nos nublados a estética pouco importa.

Indo além, há muito mais prós que contras. Mais aconchegante, o calor manufaturado pela gente parece ter um sabor diferente, a programação da TV parece menos chata.
E à tarde, com a janela aberta para entrar o vento e o som do sino da matriz, a gente dorme. Em formato de conchinhas.

Foam hands

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“Começou a temporada de provas” é uma frase sinônima de “acabaram-se os momentos de escrever no blog”.
Até o fim do ano, esta pocilga ficará meio parada. Acontece de vez em quando.

Mas! Eu precisava compartilhar que o Le Monde soltou uma matéria sobre o Cortázar (e que fico exultante quando saem matérias sobre meus escritores prediletos), que nunca é tarde para conhecer artistas como o RubensLp, e que conheci a sogrinha! E o sogrão também, mas com sogro a gente tem que manter o respeito.

E que arrastei o Éder, meu novo amigo beesha, para comprar vestidos comigo, já que o Danilo está em Salvador fazendo tererês e indo em baladas indie black no Pelourinho.

Post diarinho, nhénhé.

Escrito por ana marques

17.09.2008 em 11:32 pm

Publicado em Mundinho