Pitangas

Drupas globosas, carnosas, vermelhas e bastante saborosas.

The wrong thing

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Eu já contei o episódio da minha tentativa de suicídio?
Não, né?

Foi sensacional. Eu ainda nem tinha idade com dois dígitos, e não estava com o menor humor para ir para a aula… Então peguei uma caixa de Lexotan da minha mãe (a desgraçada sofre de ansiedade crônica, ou pelo menos sofria, na época) e engoli todos os comprimidos.

TODOS.

Uma caixa inteira de Lexotan. Na época eu nem tinha muita noção do mundo, mas sabia que tarja preta era punk e que dava para fazer um estrago. E tomei a maldita caixa inteira.
Esvaziei duas cartelas, dei um golão de guaraná, joguei a caixa vazia na privada (detalhe: essa caixa entupiu a privada e o encanador achou a prova do crime dias depois) e fui comprar uma borracha na Papelaria Pedagógica, que ficava cinco casas depois da minha.
Desmaiei na metade do caminho.

Tá, foi um desmaio meio forçado. Eu fui me jogando, pensando: “se minha mãe me achar no chão, eu não vou ter que ir para a aula”. Call me a genius.
Quando acordei, estava num consultório frio, com pessoas me estapeando e perguntando “Quantos dedos tem aqui?”. Juro.
Diz a lenda que eu desmaiei de verdade, e pessoas me acordaram e me fizeram vomitar.
Foi divertido.

Meu, eu era uma criança foda pra caralho.

E foi isso. Quase morri para poder matar um dia de aula. Se meus 2,75 leitores me acham estranha por causa disso, depois eu conto a história de um amigo que tentou suicídio porque não decorou a tabuada do três.

Tabuada do três: a mais fácil das tabuadas.
E o pior é que é verdade.

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